Este é o blog de Maria Emilia Algebaile, com contos, crônicas, poesia, fotografias,textos, sugestões de leitura e reflexões sobre nosso cotidiano.
terça-feira, 19 de março de 2013
sexta-feira, 15 de março de 2013
Ela chegou pisando leve
de tanta ansiedade que trazia nas várias camadas de pele, uma pele macia que se
eriçava ao toque cheiroso da brisa do mar. Pensamentos infinitos, sentimentos
híbridos e sensações desconhecidas arrefeciam a estranha mania que tinha de
manter os pés na realidade. Ainda não descobrira que a vida só acontece dentro
do coração, da mente e do corpo. O resto é apenas exterior, é paisagem que
emoldura o viver.
Sentada na areia branca
e fina, observava o horizonte enquanto a luz do dia se dissipava a cada piscar
de olhos. Deu-se conta da existência quando o escuro se fez mais completo e
conseguiu ver as estrelas que lhes piscavam os olhos, buscando cumplicidade.
Era noite, então. E ela
fechou os olhos e se deixou levar pelo barulho molhado das ondas que ousavam
respingar em seus pés. Súbito, uma faísca rompe a linha do horizonte e, mas
rápido que seu pensamento, surge o sol a queimar-lhe as retinas. Uma luz de absoluta
vida entrando por todos os poros, com cheiro de existência e sonho, a chamava
de forma definitiva. Deixou-se abduzir e foi então que nasceu.
sábado, 9 de março de 2013
Mais um pouco do "Livro das Mães" - Hora Certa
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ORA CERTA – (1) Lembre-se
sempre da Lei de Murphy: se estiver em dúvida sobre a hora certa de falar
alguma coisa, não fale. A hora vai estar errada. (2) Se marcar para sair daqui
a 15 minutos, por favor, saia daqui a 15 minutos. Não atrase porque, se você
atrasar vai dar munição pra ele chegar atrasado em casa (hehehe... essa é do
século passado, mas ainda funciona). Ele pode até chegar atrasado, mas não vai
ter essa desculpa. (3) A hora certa para sexo é qualquer hora. Eu sei que vocês
já descobriram isso, mas é que, com o tempo, vocês podem ir esquecendo. Ah, e é
claro que esta verdade só vale para você e seu marido, senão pode dar confusão
(hehehe... de novo).
sexta-feira, 1 de março de 2013
ERA UMA VEZ LUDOVICO
Ludovico era um cachorro que sonhava em ter uma vida gostosa, numa casa
onde os donos o tratassem com amor e sentissem orgulho dele. Na verdade, ele
ainda não era bem um cachorro, era apenas uma idéia de cachorro ou, se
preferirem, era uma alma de cachorro em busca de um corpo para poder nascer.
Ele vivia no espaço e ficava lá de cima olhando os países, as cidades, as
pessoas e ficava sonhando e imaginando a sua vida terrestre. Como seria, se ele
nascesse no Japão? E se ele fosse viver em Paris? Quem sabe, teria uma boa vida
se fosse o animal de estimação da Rainha da Inglaterra? E se os seus donos
tivessem outros cachorros? E se os filhos de seus donos não gostassem dele? E
se ele se comportasse de uma forma estranha e não agradasse os donos?
Ludovico tinha muitas perguntas, muitos sonhos e medos, mas ficava
esperando sua vez de nascer. Todo mundo espera sua vez de nascer e tem que ir
se preparando para viver sua vida da melhor forma possível. O tempo passava...
No Brasil, na cidade mais linda do mundo, o Rio de Janeiro, havia um
casal que desejava muito ter um cachorro, mas eles queriam ter um cachorro
especial, que completasse a vida deles, que desse e recebesse carinho, que
roesse chinelos, comesse os biscoitos do armário, que fizesse xixi pela sala e
que enchesse a casa de alegria. Joana e Raul se conheciam há muito tempo, se
amavam há muito tempo e viviam buscando o cachorro ideal.
O tempo foi passando e eles continuavam a procurar um cachorro que
olhasse nos seus olhos e latisse direto dentro do coração deles. Não é sempre
que isso acontece. E eles ficavam pensando em como seria esse cachorro e o que
fazer para merecê-lo. E se ele fosse zangado? E se ele mordesse as visitas? E
se ele não gostasse da vida que eles lhe oferecessem? E se eles fossem uns
donos egoístas e o cachorro fugisse de casa?
Joana e Raul tinham muitas perguntas, muitos sonhos e medos, mas ficavam
esperando o momento certo e o cachorro certo. Todo mundo deve esperar o momento
certo para as coisas acontecerem da melhor forma possível. O tempo passava...
Mas um dia, como num conto de fadas, uma estrela conduziu o Ludovico para
junto de Joana e Raul. E, quando viu os olhos dos dois, Ludovico se apaixonou.
E quando Joana e Raul ouviram seu latido, souberam que era ele. Os corações se
reconheceram e não precisou mais nada para saberem que seria um amor de verdade.
E todos viveram felizes para sempre.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Um pouco do "Livro das Mães" - Roupinha Sexy
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OUPINHA SEXY – Uma vez eu e minhas primas estávamos conversando
sobre sexo; na verdade, uma de nós contava sobre umas roupinhas sexy que havia
comprado para curtir com o marido umas fantasias...aí, a conversa se ampliou e
ganhou mais participantes, porque sua avó chegou com as tias e ficaram lá
ouvindo...conversa vai, conversa vem, uma de nós começou a falar de filmes
pornôs, outra falou sobre vibradores e a coisa virou um alvoroço, de repente,
todo mundo perguntava e respondia sobre apetrechos e posições sexuais,
estávamos rindo muito, nos divertindo, quando sua avó (sempre ela!!!), riu,
levantou-se e falou: engraçado, né? Antigamente, no meu tempo, bastava um homem
e uma mulher pra gente sentir prazer. Cada uma pegou seu copinho de cerveja,
bebeu um gole e acabamos por mudar o rumo da conversa. Nunca mais me esqueci
desse acontecimento!
domingo, 17 de fevereiro de 2013
SOBRE FLORES E CAMINHOS
Joaquim olhou a casa vazia, sem o cheiro de comida gostosa que sentira nos últimos setenta anos de sua vida, sem bolo de laranja no aparador da sala de jantar, sem a presença de Lucinda, a quem amara desde sempre. Não conhecera outra mulher, na forma como as mulheres devem ser conhecidas por quem as ama, e a ela dedicara todos os seus bons sentimentos, desde o dia em que a vira colhendo flores azuis numa pracinha lá pelas bandas da Tijuca. Era um tempo bonito, romântico, calmo. O tempo caminhava de mãos dadas, carinhosamente, ofertando-se a quem sabia aproveitá-lo.
Joaquim chorou e se encaminhou à cozinha. Bebeu um copo d’água e sentou-se à mesa. Respirou fundo. Sentiu uma dor fina percorrer sua alma. Lucinda e ele descobriram o mundo juntos, conheceram o amor juntos e realizaram a vida unidos pela mais absoluta cumplicidade e paixão. Cada ano tinha sido um fruto maduro que degustaram embevecidos.
Sem perceber, pegou a caneta e pôs-se a rabiscar uma embalagem que estava em cima da mesa. Distraiu-se enquanto relembrava que a casa, sempre de janelas abertas, recebia o vento intruso que passava pelas cortinas diáfanas e vasculhava seu interior. Pela manhã, encontrava-se Lucinda ajeitando o almoço, preparando a mesa, cuidando dos cabelos longos, arrumando uma coisa aqui, outra ali, enquanto Joaquim estava no escritório trabalhando. Pela tarde, o tempo registrava os dois lendo, fazendo palavras cruzadas, descansando ou, simplesmente, sentados, em silêncio, um ao lado do outro. Quanto conteúdo havia naquele silêncio! Um silêncio de confiança, um silêncio de amor correspondido. O silêncio que só quem ama de verdade suporta ouvir do ser amado.
Nas tardes mais frescas, Lucinda bordava pequenas flores azuis nas toalhas de mesa, nas fronhas dos travesseiros, nos lençóis e em todos os panos da casa. Sempre aquelas flores azuis delicadas se multiplicando por galhos fininhos, como uma trepadeira à procura de um suporte para se agarrar e continuar a subir em busca da.... luz?
As noites foram sempre aconchegantes e se amaram com paixão e se aninharam com carinho até onde a vida permitiu. Sem Lucinda, |Joaquim se pergunta como será respirar. Faltava-lhe o ar e ele suspirava.
Causava-lhe medo saber que, a partir desta tarde, não veria o sorriso no rosto suave de Lucinda, um rosto que contava histórias em suas diversas rugas, um rosto onde Joaquim podia mirar-se. Sentiu uma dor mais forte e ainda teve tempo de perceber que desenhava pequenas e delicadas flores azuis serpenteando pelos espaços em branco até que, exausto, reencontrou Lucinda.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Mais um pouco do "Livro das Mães" - Irmã/Irmão
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RMÃ/IRMÃO – O Livro das Mães
seria incompleto demais se faltasse este verbete. Irmão é tão importante quanto
respirar, quanto rir, quanto chorar. E falo dos irmãos de sangue e daqueles que
o coração vai colhendo e agregando à nossa vida. Falo dos irmãos que nos tiram
o sono e daqueles que cantam para que durmamos em paz; dos irmãos que nos
apontam caminhos e dos que compartilham este caminho conosco. Bom, pela
importância que tem, irmão dispensa muita explicação. Vocês sabem disso, né?
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